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Competição: Sertões do Nordeste

Competição: Sertões do Nordeste

Prova enfrentou a aridez do interior de sete estados da região. A próxima edição, de 30 anos, terá trajeto ainda mais duro: do Oiapoque ao Chuí, com mais de 4 mil km

Um rally que tem a palavra Sertões no nome, trechos percorridos na Região Nordeste e registrou um pódio compartilhado por competidores de Brasil, França e Argentina. Esse é um bom resumo do que foi a 29ª edição de uma das maiores e mais importantes provas off road de velocidade do País. Realizado ainda em um cenário de enfrentamento aos desafios da pandemia de coronavírus, o Rally dos Sertões foi marcado pela volta ao circuito do Mundial de Rally Cross-Country da Federação Internacional de Motociclismo (FIM) depois de sete anos.
Com largada na praia potiguar de Pipa e chegada em Tamandaré, no litoral pernambucano, a prova teve dez dias de desafio, com 3.615 km percorridos por sete estados do Nordeste (Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, Piauí, Bahia, Alagoas e Pernambuco). Ou seja, mais de 360 km por dia, o que dá ideia da dureza enfrentada pelos participantes, considerando a aridez e o calor do interior dos estados da região.
Foram três quadriciclos, 34 carros, 65 motos e 90 UTVs – para quem não conhece, esses últimos são os Utility Task Vehicles, ou veículos utilitários de trabalho. Não muito comuns no Brasil, eles são bastante usados nos Estados Unidos para trabalhos em zonas rurais por causa da simplicidade e resistência da estrutura, que os torna versáteis em estradas de terra ou acidentadas.
Nas quatro modalidades do rali, o degrau mais alto do pódio foi ocupado por duplas acostumadas à vitória, mas também por dois pilotos que conquistaram o primeiro de forma inédita. Foi o caso do francês Adrien Metge, na categoria de motos. Fora da edição 2020 por testar positivo para Covid-19 na semana da prova, o piloto na edição deste ano venceu seis das etapas cronometradas. Com o título, Metge se tornou o quinto estrangeiro a conquistar a prova – Heinz Kinigadner, Marc Coma, Cyril Despres e Paulo Gonçalves foram os que o antecederam.
Na categoria de quadriciclos, o argentino Manuel Andujar travou uma boa disputa com o maranhense Marcelo Medeiros e tomou a liderança após um acidente sofrido pelo rival na sétima etapa (trecho entre as cidades de Petrolina, em Pernambuco, e Delmiro Gouveia, em Alagoas). Já nos UTVs, a dupla Deninho Casarini e Ivo Mayer foi premiada pelo segundo consecutivo. Vale ressaltar que eles sofreram uma capotagem na primeira curva do trecho de largada, ainda em Pipa, o que os fez largar da 35ª posição na primeira etapa. Só passaram a comandar a categoria no fim da sétima etapa.
Entre os carros, houve uma virada na última etapa no duelo entre os irmãos Christian e Marcos Baumgart, que disputavam pela mesma equipe, X Rally, com parceiros diferentes. Cristian, ao lado de Beco Andreotti, atacou na oitava etapa e já havia descontado boa parte da desvantagem quando Marcos, em dupla com Kleber Cincea, perdeu tempo com problemas na transmissão.
Em 2022, os organizadores do Rally dos Sertões lembram que será um ano de marco para a prova, quando ela completa três décadas. A promessa é de ainda mais emoção, em um trajeto previsto para percorrer a distância entre os dois extremos do Brasil: a cidade de Oiapoque, no Amapá, e Chuí, no Rio Grande do Sul. Será “um desafio inédito”, prometem.

CLASSIFICAÇÃO FINAL

Motos
1) Adrien Metge, Yamaha WR450F
2) Jean Azevedo, Honda CRF450RX
3) Bissinho Zavatti, Honda CRF450RX

Quadriciclos
1) Manuel Andujar, Yamaha Raptor 700
2) Rafal Sonik, Yamaha Raptor
3) Marcelo Medeiros, Yamaha YFM700R

UTVs
1) Denísio Casarini/Ivo Meyer, (1)UT1, Can-Am Maverick X3
2) André Hort/Matheus Mazzei, (2)UT1, Can-Am Maverick X3
3) Rodrigo Luppi/Maykel Justo, (3)UT1, Can-Am Maverick X3

Carros
1) Cristian Baumgart/Beco Andreotti, Toyota Hilux
2) Marcos Baumgart/Kleber Cincea, Toyota Hilux
3) Sylvio de Barros/Rafael Capoani, Toyota Hilux