Pular para o conteúdo

Mobilidade: Bicicletas e patinetes elétricos

Mobilidade: Bicicletas e patinetes elétricos

Eles custam de 1% a 5% do valor de um carro e estão conquistando consumidores de grandes centros urbanos mundiais, que começam a se preocupar com a regulamentação do uso

Como se deslocar na cidade de forma rápida, segura, não poluente e que não seja cansativa ou desconfortável? Esse é o dilema de bilhões de pessoas que hoje vivem em grandes centros urbanos. Se você pensar em alternativas como andar a pé ou de bicicleta, é difícil imaginar a viabilidade para chegar no trabalho na hora e sem estar cansado ou precisando de um banho.
Por isso, uma alternativa que tem crescido cada vez mais em metrópoles de todo o mundo é o uso de veículos de pequeno porte elétricos. Eles reúnem as vantagens de não ocupar espaço – um ativo valioso em qualquer centro urbano -, não poluir e proporcionar conforto para os usuários, já que estes últimos precisam fazer pouco esforço físico para se locomoverem.
As principais estrelas desse novo modal de transporte são as bicicletas com assistência – nas quais o condutor é ajudado por um motor elétrico para fazer menos força ao pedalar – e os patinetes elétricos. Estes últimos são de longe os mais práticos. São finos, leves e dobráveis, o que permite, por exemplo, que sejam levados dentro de um ônibus ou em vagões de trens e ônibus.
Além dos veículos comprados pelos usuários, megalópoles como Paris, Washington e São Paulo têm empresas que alugam os equipamentos, à semelhança do que faz, por exemplo, o Bicicletar, sistema de bicicletas compartilhadas de Fortaleza. A questão, nesse caso, é que, pelos motivos que já expomos, os pequenos veículos elétricos são bem mais sedutores que as bicicletas convencionais. O resultado é que o uso deste modal está se tornando um problema, por causa do crescimento acelerado, e levando as administrações municipais a se mobilizarem para regulamentá-los.
Em Nova York e em Paris, após consulta nos sites das prefeituras de ambas as cidades, foi possível ver que há medidas recentes que foram tomadas para evitar o caos. A principal preocupação é com a segurança dos pedestres, já que muitos usuários dos veículos acabam usando as calçadas para se locomoverem.
Na metrópole norte-americana, um documento datado de 7 de janeiro último de um conselho do Distrito de Manhattan propõe a legalização de bicicletas com assistência e patinetes elétricos. Ao mesmo tempo, o documento estabelece que bicicletas totalmente elétricas devem ser proibidas. O motivo principal: bicicletas com assistência têm velocidade máxima de 15 km por hora. As totalmente elétricas, o dobro – um perigo a mais para os pedestres.
O conselho também estabelece normas como a proibição de que os veículos alternativos fiquem nas calçadas, seja parados ou em movimento, e que as ciclovias da cidade só possam ser usadas por equipamentos cuja velocidade máxima não exceda os 20 km por hora. “Experiências negativas de outras cidades, que permitem que tais veículos sejam liberados em suas ruas antes sem que uma estrutura legal ou operacional tenha sido planejada, mostram que uma implantação bem sucedida só ocorre se for benéfica para passageiros e pedestres”, diz o documento.
No site da prefeitura de Paris há farto material sobre os veículos alternativos. Isso ocorre porque a administração municipal já tem até um programa de incentivo, com subsídios no preço, à compra que contempla bicicletas com assistência e patinetes elétricos. No caso da cidade francesa, no entanto, a iniciativa de estímulo aceita equipamentos com velocidade até 45 km por hora.
Como resultado desta política, a prefeitura de Paris estima que já há cerca de 15 mil veículos elétricos circulando, entre scooters, patinetes e bicicletas com assistência. Por isso, também está se mobilizando para regulamentar o uso dos equipamentos. Entre medidas propostas em uma resolução publicada este ano está a criação de uma taxa de 50 euros a ser paga pelos usuários, uma regulamentação estabelecendo as condições de uso e a criação de estacionamentos para os veículos.
Também procuramos a prefeitura de São Paulo para obter informações sobre as medidas para regulamentar os veículos alternativos, que têm registrado uso crescente. Em janeiro último foi criado na cidade um grupo de trabalho para regulamentar o sistema de compartilhamento de patinetes elétricos. Segundo o município, 11 empresas se mostraram interessadas em explorar o serviço. “Os equipamentos precisarão ser seguros, confiáveis e de qualidade e não poderão ser estacionados de modo que impeçam ou atrapalhem o caminho e a circulação dos pedestres”, diz a prefeitura. A primeira reunião do grupo de trabalho com as empresas aconteceu no dia 19 de março.