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VW I.3 e I.4: De olho no futuro

VW I.3 e I.4: De olho no futuro

Volkswagen trouxe para testes no Brasil o compacto ID.3 e o SUV ID.4. Totalmente elétricos, eles chegaram para ser avaliados entre consumidores da América Latina

Fazendo um resgate histórico, a Volkswagen tem sido protagonista de alguns momentos que fizeram a diferença no mercado automotivo e estimularam a concorrência a evoluir. O primeiro carro com injeção eletrônica a sair de uma linha de produção nacional foi o Gol GTI. Também foi deste modelo a versão pioneira com motor bicombustível. Não dá para dizer se o lançamento dos modelos elétricos ID.3 e ID.4 no País – embora ainda para um período de experiência, vai ter um efeito tão impactante.
Mas é de se esperar que a marca, pelo seu peso, pode, pelo menos, animar mais a discussão por aqui em torno da eletrificação automotiva – que engatinha no Brasil, mas avança no mundo e já está adiantada em alguns países. De acordo com a montadora, a iniciativa está inserida na sua estratégia de descarbonização, que visa neutralizar as emissões de CO2 até 2050. “Modelos elétricos vão se juntar, no futuro, aos híbridos e flex com etanol na América Latina”, promete a empresa.
Diferentemente do que aconteceu nas inovações citadas anteriormente – a injeção eletrônica e o motor bicombustível -, no entanto, a estratégia de eletrificação da Volkswagen na América Latina, que começou em 2019, não tem sido linear. Naquele ano, a montadora trouxe o Golf GTE híbrido plug-in no Brasil, mas o carro não faz mais parte do seu portfólio. Este ano, foi apresentado o e-up! totalmente elétrico no Uruguai, mas por aqui até a versão com motor tradicional parou de ser vendida. De qualquer forma, a chegada dos dois modelos elétricos não pode ser desconsiderada.
“As primeiras unidades do ID.3 e ID.4 desembarcam inicialmente no Brasil e na Argentina e também serão apresentados para os principais mercados da América Latina em exposições, clínicas com clientes e test drives”, explica Thomas Owsianski, Presidente e CEO da Volkswagen da Argentina e vice-presidente de Vendas e Marketing da Volkswagen para a América do Sul.
Os modelos da família ID têm tido grande destaque da fábrica ao redor do mundo. Ela já chegou a comparar o ID.3 ao Fusca, seu maior ícone mundial até hoje. Em relação ao design, a empresa afirma que um dos desafios do projeto ID. era fazer com que os carros não se parecessem com veículos à combustão. Como a motorização elétrica costuma ser menor que a que funciona a combustão, eles têm rodas maiores e distância entre-eixos mais generosas. Ou seja, foi evidenciada, no design, essa vantagem que os veículos têm por não usarem motor tradicional.
Montados sobre a plataforma MEB, desenvolvida exclusivamente para os carros elétricos do Grupo Volkswagen, todos os IDs têm as baterias posicionadas no assoalho do carro, permitindo um melhor aproveitamento do habitáculo. Esse expediente permite, por exemplo, a disponibilidade de mais espaço para carga.
Para o ID.3 há opções de três tamanhos de baterias. A versão de 45 kWh permite uma autonomia de até 352 km. Com 58 kWh, o alcance sobe para até 426 km. A bateria maior, de 77 kWh, proporciona uma autonomia máxima de 549 km. Para o ID.4, a autonomia é de até 346 km com a bateria de 52 kWh e 522 km com a bateria de 77 kWh.
Em relação à potência, o ID.3, com a bateria de 45 kWh, tem 150 cv. Com a opção de 58 kWh, sobe para 146 cv. Por fim, a de 77 kWh rende 204 cv. Com o ID.4, a bateria de 52 kWh trabalha com duas opções de motores, proporcionando, respectivamente, 148 cv e 170 cv. Já com a de 77 kWh, o modelo entrega 204 cv.
O sistema de recarga rápida dos modelos pode recuperar até 80% da bateria em aproximadamente 30 minutos, se feita em um carregador potente (recarga DC, de 100 kW). A reposição de energia, vale ressaltar, continua sendo o principal desafio da eletrificação automotiva. Um carro com motor tradicional enche um tanque em menos de cinco minutos. Não há sistema de recarga elétrica, atualmente, que ofereça algo próximo a essa comodidade.
Até 2025, a Volkswagen promete apresentar um novo veículo elétrico por ano – não no Brasil, diga-se de passagem, mas na Europa e na América do Norte. Ainda em 2021, chega o SUV ID.5. No ano que vem, está previsto o ID.BUZZ, uma van que a montadora associou ao conceito de espaço, robustez e praticidade da extinta Kombi e classifica como “um novo ícone”. E para 2025, virá um modelo abaixo do ID.3, “que tornará a mobilidade elétrica acessível para mais clientes ainda”, segundo a empresa.
Como estão apenas para testes por aqui, não há preço fixado para o ID.3 e o ID.4 no Brasil. Na Europa, eles estão na faixa entre 35 mil e 45 mil euros – daria algo em torno de R$ 220 mil a 283 mil. Isso sem contar os impostos. Por esses valores, fica difícil saber se a Volkswagen, assim como fez com a injeção eletrônica e o carro flex, vai conseguir influenciar o mercado para melhor. Agora é esperar e torcer.