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Competição: Campeão do politicamente correto

Competição: Campeão do politicamente correto

Preocupado com o alto custo da Fórmula 1 e com os danos que o esporte causa ao meio ambiente, o piloto inglês Lewis Hamilton usa sua projeção mundial para pedir mudanças

Negro, vegano e de origem na classe média. Além de um fenômeno nas pistas, com uma hexacampeonato conquistado na Fórmula 1 duas corridas antes do fim do torneio, este ano,, o piloto Lewis Hamilton também tem muitos atributos para merecer destaque quando não está correndo. Em um esporte no qual um único carro gasta mais de 120 litros de combustível fóssil por corrida, ele reivindica mudanças para compensar o aumento de carbono na atmosfera que o chamado “circo” da Fórmula 1 gera.
“Os pilotos viajam muito. Seria interessante aliviar a carga das viagens. Além disso, nas pistas, muito plástico é gerado. É preciso usar produtos recicláveis e trocar o plástico, por exemplo, por papelão”, disse ele em um coletiva online da qual Auto Revista Ceará participou antes do GP do Brasil, que ocorreu no dia 17 de novembro e no qual ele, com a tranquilidade de quem já tinha o título do campeonato, não deu seu máximo e ficou em 7º lugar após a perda de pontos por uma batida.
Com uma fala sempre serena, Lewis Hamilton destacou, ainda no tema sustentabilidade, que não quer correr em nova pista que está sendo cogitada Rio de Janeiro porque, segundo ele, causaria a destruição de uma área natural (o futuro local seria em uma região de mata que era usada como campo de testes pelo Exército). O piloto ainda falou sobre sua preocupação com a destruição da floresta amazônica no Brasil, onde afirmou que há perda de um campo de futebol por dia em áreas verdes.
Sobre os beberrões motores da Fórmula 1, o piloto inglês disse esperar que a evolução tecnológica os torne cada vez menores e eficientes. “Eles têm usado menos combustíveis. Antes, eram V8 e hoje são V6. Talvez cheguem a um V2 no futuro. Já há pesquisas até com motores de apenas um pistão”, lembrou Hamilton.
Outro tema destacado pelo hexacampeão foi o custo cada vez mais alto da Fórmula 1, que inviabiliza o acesso de muitos pilotos ao sonho de participar do esporte. “Se eu fosse começar hoje, não teria condições. O modelo está na direção errada. Quero me engajar com a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) para a contratação de pilotos mais jovens, mas é muito caro. Deveria ser mais barato”, opinou. Ele também lamentou por estar há 12 anos na Fórmula 1 e seu sucesso não ter sido suficiente para ampliar a participação de pilotos negros no esporte. Hamilton, no entanto, disse comemorar o fato de ver, hoje, famílias de várias etnias dizendo “eu quero que meu filho seja piloto”.

Patrocinador investe em tecnologias limpas

Na coletiva de imprensa, o tema sustentabilidade, tão caro a Lewis Hamilton, não passou batido pela Petronas, fabricante de óleo que participa da equipe do piloto. O diretor geral para as Américas, Luiz Sabatino, destacou o lançamento, este ano, do Petronas Syntium, óleo especialmente desenvolvido para carros híbridos – que parecem bem mais próximos da realidade no mundo que os 100% elétricos, por sua versatilidade e por dependerem menos das demoradas recargas das baterias.
De acordo com o executivo, a empresa tem compromisso com a preocupação em torno das mudanças climáticas. “Cerca de 75% do nosso orçamento de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) é voltado para para ajudar a reduzir emissões de CO2. E a Fórmula 1 é uma aliada no processo de desenvolvimento dos produtos”, disse Luiz Sabatino.

Saiba mais
Lewis Carl David Hamilton nasceu em 7 de janeiro de 1985 em Stevenage uma pequena cidade que hoje tem cerca de 80 mil habitantes e fica a pouco mais de 50 km de Londres, capital da Inglaterra. É descendente de imigrantes da Ilha de Granada, uma ex-colônia britânica que fica no Mar do Caribe. Quando tinha seis anos, o piloto ganhou do pai um veículo que os britânicos chamam de go-kart.
Naquele país, existem também os fun-karts, que têm velocidade menor que os go-karts e são mais adequados para crianças. Mas o talento nato de Lewis Hamilton permitiu a ele começar já no go-kart. O pai, no entanto, condicionou o prazer de pilotar ao bom desempenho na escola. Logo o piloto já conseguiria obter o título de mais jovem vencedor, na categoria “Cadet” (idade de 8 a 13) do Campeonato Britânico de Kart.
Com apenas 9 anos, Lewis Hamilton se apresentou para Ron Dennis, dona da McLaren, uma das maiores e mais importantes equipes da Fórmula 1, dizendo o seguinte: “Oi. Eu sou Lewis Hamilton. Eu fui campeão do Campeonato Britânico e quero, um dia, estar correndo em um dos seus carros”. A frase soou como uma profecia. Em 1998, com 13 anos, ele foi contratado pela McLaren em um programa de jovens pilotos da equipe.
Nesse estágio, como o próprio falou na entrevista coletiva sobre o alto investimento necessário para ser um piloto, foi o apoio financeiro da McLaren – substituindo o suporte feito até então por seu pai, que trabalhou em vários empregos para manter seu filho correndo – que garantiu a continuidade de sua trajetória.
Depois do kart, Hamilton foi competir na Fórmula Renault, um torneio que existiu no país entre 1989 e 2011. Depois o piloto foi para Fórmula 3, considerada como o último passo dos competidores, antes de chegarem na Fórmula 1.