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Test-drive Volvo XC40

Test-drive Volvo XC40

O modelo híbrido permitiu que rodássemos uma semana quase sem usar o motor a combustão. Na cidade, a autonomia apenas com o sistema 100% elétrico é de cerca de 40 km

No dilema ambiental do mundo, hoje, que se assusta com os efeitos do aquecimento global e se preocupa com um planeta cada vez mais afetado por essas mudanças, o setor automotivo está no centro do debate. A meta é eliminar, em longo prazo, os motores a combustão, que há mais de um século, embora tenham evoluído bastante, ainda são responsáveis por boa parte dos poluentes que sujam a atmosfera da Terra.
Infelizmente, a tecnologia dos carros 100% elétricos ainda está um pouco longe de ser a ideal. As baterias precisam evoluir muito para que o reabastecimento de um modelo desse tipo seja tão prático quanto ir no posto encher o tanque de gasolina. Além disso, em uma viagem de longa distância, especialmente fora do perímetro urbano, não vai ser fácil fazer a recarga do modelo.
A solução mais viável, no momento, tem sido a dos carros híbridos – especialmente os conhecidos como “plug-in”, como o Volvo XC40, que Auto Revista Ceará teve oportunidade de dirigir por alguns dias. Explicando como esse tipo de carro funciona, ele tem dois motores, um elétrico e um a combustão, e seu sistema de baterias é recarregável, exatamente como em um carro 100% elétrico. Com carga total, a autonomia do modelo funcionando apenas com o sistema elétrico é de 40 a 45 km, dependendo do modo de condução.
Isso significa que para a esmagadora maioria dos motoristas, é possível rodar com o carro praticamente sem precisar do motor a combustão. É difícil imaginar alguém que use o veículo todo dia para ir ao trabalho e resolver pequenas demandas de casa percorrendo, dentro da cidade, mais de 40 km por dia. No nosso caso, a carga total do XC40 permitiu rodar por até dois dias sem recorrer ao motor a gasolina. A recarga da bateria pode ser feita, por exemplo, em um ponto de um local público, como um shopping center, ou através de um sistema instalado em casa ou no condomínio.
Muito bem projetado, o sistema eletrônico que gerencia o tracionamento do carro torna tudo simples para o motorista. Quando ele vai ligar o carro, se existe alguma carga na bateria o motor elétrico é ligado automaticamente. Mas se logo que o motorista sai há demanda por mais força (subir uma rampa, por exemplo), o motor a combustão passa a funcionar e é desligado assim que o carro volta a rodar sem essa necessidade de força extra.
Também pudemos perceber que enquanto o carro está em movimento, o sistema procura otimizar o consumo da melhor maneira possível. Rodamos algum tempo com o motor a combustão, porque a carga das baterias para o motor elétrico tinha acabado. Mas como ele aproveita as freadas e as descidas para gerar um pouco de energia, ela logo era aproveitada para desligar o motor a gasolina, nem que fosse por alguns segundos.
O XC40 é equipado com o conjunto T5 Twin Engine FWD, composto pelo motor elétrico de 82 cavalos de potência e um 1.5 turbo a gasolina com 180 cavalos. Combinados, ele produzem 262 cavalos de potência e 43,3 kgf.m de torque. O motor a combustão funciona com uma transmissão automatizada de sete marchas e embreagem dupla. É um desempenho impressionante, mas não foi possível testá-lo nas ruas, infelizmente. A rodagem no perímetro urbano foi quase toda no modo Econômico, umas das opções dos modos de dirigibilidade sobre os quais vamos falar agora. O modelo da Volvo oferece cinco opções de comportamento durante a condução:
Hybrid – Combinação dos dois motores otimizando potência e consumo de combustível;
Pure – 100% de uso do motor elétrico, com baixo consumo e economia máxima do motor e dos recursos;
Power – Potência e torque máximos com respostas mais rápidas do acelerador e trocas de marcha no modo esportivo, ou seja em rotações mais altas;
Off-Road – Para condução em terrenos fora de estrada entre 20 e 40 km/h;
Individual – Neste, o motorista escolhe as suas preferências de condução.
No modo Pure (Econômico), o desempenho do motor é suavizado para render mais. Dentro da cidade, com todos os cruzamentos com semáforos e a lentidão do trânsito, ele se mostrou, com toda certeza, uma ótima opção. Mas, como dissemos, sempre que havia alguma demanda por mais força, o motor a combustão passava a funcionar automaticamente.
Sobre as recargas, ainda há poucos pontos disponíveis na cidade. Natural, para uma tecnologia que apenas engatinha no mercado brasileiro. Também descobrimos que os conectores da BMW, outra marca que está investindo na construção de uma infraestrutura para modelos elétricos e híbridos e instalou alguns pontos, não são compatíveis com os da Volvo. Mas isso não parece ser um obstáculo: embora não tenhamos testado, encontramos na internet adaptadores que prometem resolver o problema.
No mais, o XC40, como todo Volvo, é um show de tecnologia. O sistema de som é impecável, o computador de bordo merece, realmente, esse nome, porque o carro é totalmente configurável, e a montadora tem um aplicativo para smartphone que permite até alguns comandos remotos, como ligar e resfriar o carro, por exemplo, antes de entrar nele.
Na Suécia, país de origem da Volvo, carros novos com motor a combustão não poderão mais ser comercializados daqui a nove anos. Para nós, uma realidade dessa parece muito distante, mas o XC40, apesar de dedicado ao mercado premium, com preços entre R$ 245 mil e R$ 280 mil, e vender poucas unidades (na concessionária GNC Suécia, onde pegamos o carro, a média é de 5 por mês), é um excelente e eficiente exemplo dessa tendência que, cedo ou tarde, vai chegar e se popularizar entre nós.