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Carro dos sonhos: O futuro batendo à porta

Carro dos sonhos: O futuro batendo à porta

A Porsche prepara para 2020 seu carro 100% elétrico. O projeto Taycan, derivado do conceito Mission E, prevê potência de 600 cavalos e autonomia de 500 quilômetros

Nada mais apropriado para uma seção chamada “Carros dos Sonhos” que um modelo que, de tão espetacular e ambicioso, ainda nem chegou à linha de montagem. Apresentamos o Taycan, futuro carro 100% elétrico da Porsche que será fabricado a partir do conceito Mission E. Ele terá lançamento mundial em 2020 e a Porsche do Brasil, em seu site, aceita cadastros de interessados.
Não há informações sobre preços, mas encontramos, em sites internacionais, que a expectativa é de que ele seja vendido a partir de 75 mil dólares nos Estados Unidos. Para termos ideia do que esse valor significaria no Brasil, façamos as contas: considerando o dólar a R$ 4,30, dá pouco mais de 320 mil reais. Incluindo os impostos, custos de frete e margem de lucro da montadora, é possível arriscar que o valor chegaria a algo próximo de R$ 1 milhão.
Como carros elétricos de alto desempenho são uma novidade relativamente recente no mercado mundial, os modelos desse segmento priorizam outras características, como autonomia e praticidade de uso. Mas como se trata de um Porsche, o Taycan não deve brincar em serviço em termos de recursos adicionais a esses já citados. Alguns números do Mission E, seu “irmão” conceito, mostram o que pode ser esperado: aceleração de 0 a 100 km por hora em apenas 3,5 segundos, potência de 600 cavalos e velocidade de até 250 km por hora.
Além disso, ele será capaz de rodar até 500 km com carga total e o sistema de baterias é capaz de receber até 80% da energia total em apenas 15 minutos através de carregamento por indução, sem cabos. E a bateria também pode ser carregada pela rede elétrica convencional, em postos públicos ou na casa do proprietário.
O veículo funciona com dois motores elétricos, um em cada eixo. De acordo com a Porsche, “eles são capazes de transformar energia elétrica em tração com eficiência, uniformidade e alto desempenho contínuo, produzindo relativamente pouco calor. Assim, não necessitam de longas pausas para esfriar”. Isso se dá, segundo a empresa, porque até seus veículos elétricos “precisam ser aptos para os circuitos de corrida”. O sistema de tração integral opera eletronicamente por demanda, transmitindo o torque dos motores de acordo com a dinâmica de condução e a aderência.
Como no 911 GT3 e no 911 Turbo, outros modelos da Porsche, todas as rodas giram juntas, para facilitar as manobras mesmo em altas velocidades.
Ainda no quesito esportividade, o projeto Mission E-Taycan tem apenas 1,3 metro de altura e peso cuidadosamente distribuído para um centro de gravidade baixo que garante muita estabilidade. A bateria é integrada no piso inferior e a montadora aproveitou o fato de que carros elétricos não têm sistema de escapamento para tornar a carroceria mais fluida possível. Também contribui para isso a ausência de retrovisores externos, que foram substituídos por câmeras.
Uma coisa que a Porsche destaca é que, mesmo com a preocupação com a esportividade, o projeto também quer oferecer espaço interno e conforto para até quatro passageiros. As portas abrem em sentido contrário (as dianteiras para a frente, as traseiras, para trás), para possibilitar mais comodidade ao entrar no veículo. Os quatro bancos individuais foram inspirados nos usados em competições. Isso, ao mesmo tempo, contribui para reduzir o peso e oferecer a todos os ocupantes um apoio lateral para deixá-los mais bem acomodados, caso o motorista queira se “divertir” um pouco com a velocidade do carro.
O painel de instrumentos integrado exibe cinco funções em uma tela OLED: Porsche Connect, Performance, Drive, Energie e Sport Chrono ou Track. Os mostradores podem ser vistos pelo motorista em várias posições, para evitar que, caso ele se movimente, o volante esconda informações importantes.
Além disso, graças a um sistema de rastreamento do olhar via câmera, sensores sabem sempre para qual instrumento o motorista está olhando. Somente por gestos intuitivos, o motorista ou o passageiro ao lado podem comandar funções como rádio, navegação, ar condicionado, telefone ou aplicativos específicos do veículo.
Para obter o máximo de redução de peso, a Porsche adotou no projeto uma combinação de elementos na carroceria: alumínio, aços variados e fibra de carbono. O único componente onde a fibra de carbono – material usado em carros de competições como a Fórmula 1 que é extremamente leve e resistente – predomina é o habitáculo, para aumentar a segurança dos ocupantes.
Por fim, mesmo não tendo motora a combustão, projeto Taycan-Mission E prevê um sistema de resfriamento, considerando que altas velocidades geram atrito e, consequentemente, calor. Grades de entrada e saída de ar na frente, atrás e nas laterais estão presentes na carroceria, para resfriar motores, bateria e sistema eletrônico.