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Mercado: o recomeço

Mercado: o recomeço

Depois do baque inicial causado pela pandemia de coronavírus, montadoras retomam a produção com cuidados de higiene e controle rigoroso sobre as atividades dos funcionários

Vida que segue. Depois de um segundo trimestre difícil para o setor de produção de automóveis (leia matéria nesta edição na página 12), as montadoras reiniciaram as atividades na esperança de que a vida volte, aos poucos, à normalidade. Como são grandes empresas, com boa infraestrutura, criaram um conjunto de regras para expor menos os seus funcionários ao risco de contágio que podem ser usadas como referência para outros segmentos automotivos.
As primeiras orientações vieram da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que reúne as principais empresas do setor. A entidade criou um guia minucioso de regras de comportamento dentro das unidades chamado “Protocolo de Medidas Essenciais de Prevenção e Segurança para os Colaboradores da Indústria Automobilística”.
Uma das primeiras recomendações é que as fábricas façam um trabalho de conscientização dos trabalhadores em relação à necessidade das regras. Outra medida importante é o monitoramento contínuo do cumprimento dos protocolos. E eles incluem medidas que devem ser tomadas até antes do funcionário sair de casa, como uma autoavaliação do estado de saúde. Em caso de temperatura acima de 37,5º, ele deve procurar um médico, ao invés de ir trabalhar.
Depois, o protocolo mostra todos os pontos que devem ser higienizados no veículo pessoal ou de uso nas instalações da fábrica. Nas empresas, as salas de reuniões devem ser bloqueadas, para que não aconteçam encontros presenciais. Banheiros e vestiários têm limites de lotação e nos refeitórios e outros locais de permanência por muito tempo é preciso guardar distância mínima de 1 metro de outra pessoa.
Na Volkswagen, que começou a retomada da produção no dia 1º de junho, a regra de distanciamento tem parâmetro ainda mais rigoroso que a da Anfavea: 1,5 metro de distância mínima entre cada trabalhador. Segundo a empresa, as medidas de higiene e segurança foram adotadas com base nas experiências das fábricas que ela tem na China e na Alemanha, países onde a pandemia chegou antes do que no Brasil. Além de postos avançados de atendimento médico dentro das unidades, a Volkswagen fez parceria com fornecedores e concessionárias para adotar as práticas de higiene e segurança, com distribuição de cartilhas e treinamentos virtuais.
Outra montadora que adotou medidas com base em experiências de outros países foi a Fiat, onde unidades da Itália e da Ásia ajudaram a moldar o novo padrão local. Um das medidas foi o monitoramento da saúde dos funcionários através de um aplicativo de celular e de medições constantes de temperatura. Um aspecto que pode servir de referência para várias empresas é a avaliação da necessidade de presença física de alguns funcionários. A Fiat implantou o regime de home office para todos os trabalhadores administrativos não diretamente envolvidos nas atividades de produção.
Uma medida importante – e, desta vez, em benefício da saúde mental dos funcionários – foi adotada pela Hyundai do Brasil. De acordo com a empresa, apesar do retorno da produção ter sido apenas um turno, não houve redução dos salários. Ela implantou uma complementação ao benefício emergencial do Governo Federal para que cada funcionário siga recebendo o mesmo salário líquido – que corresponde ao valor do salário nominal menos imposto de renda e desconto previdenciário.
Por fim, a General Motors adotou suas medidas de segurança seguindo orientações globais e aprendizados obtido no retorno de operações de unidades da China e da Coreia do Sul. Entre as principais medidas de segurança estão um formulário digital de autodeclaração de saúde, medição de temperatura corporal nas entradas da empresa e monitoramento constante de casos suspeitos pelo serviço médico, com protocolos de emergência e de descontaminação.