Pular para o conteúdo

Competição: Por onde andam eles?

Competição: Por onde andam eles?

O Brasil já foi uma potência da Fórmula 1, mas hoje não tem nenhum piloto no campeonato. Fomos procurar, entre outros torneios de elite, onde e como estão os corredores brasileiros

Mesmo quem não viveu os tempos gloriosos dos pilotos brasileiros na Fórmula 1 mas gosta de acompanhar o esporte já deve ter ouvido falar nos nomes de Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Airton Senna, Rubens Barrichello e Felipe Massa. Isso acontece porque todos eles conseguiram pelo menos algum destaque no campeonato que é um dos mais cobiçados por competidores de todo o mundo. Fittipaldi, Piquet e Airton, inclusive, ganharam títulos de campeões. E os demais estiveram em times de elite, com alguns dos melhores carros e motores.
Mas os admiradores mais atentos com certeza também perceberam que desde a saída de Felipe Massa, nenhum corredor brasileiro conseguiu projeção significativa na Fórmula 1. E hoje eles estão ausentes do torneio. Em pesquisa que fizemos no site oficial, vimos que os 20 pilotos listados têm as seguintes nacionalidades: Finlândia (2), Inglaterra (3), Holanda (1), Alemanha (2), Mônaco (1), Dinamarca (1), Canadá (1), Rússia (1), França (2), México (1), Tailândia (1), Itália (1), Polônia (1), Espanha (1) e Austrália (1).
Considerando os pilotos de países classificados como “em desenvolvimento”, no qual o Brasil costuma ser incluído, há representantes da Rússia, do México e até da Tailândia, país sem muita tradição no automobilismo esportivo. Mas será que no Brasil de tantos apaixonados por carros não está mais havendo a formação de bons corredores em campeonatos mundiais importantes? A verdade é que eles ainda estão por aí em outros torneios que, se não têm o glamour e a vitrine que a Fórmula 1 ainda conserva entre nós, também têm sua relevância entre os aficionados.
Começando pela Fórmula Indy, campeonato de velocidade que ocorre apenas nos Estados Unidos – mas, pela importância econômica do país, tem enorme audiência e movimenta muito dinheiro – dos 34 pilotos listados no site oficial, três são brasileiros: Tony Kanaan, Matheus Leist e Hélio Castroneves. Vale ressaltar que não estão fazendo feio: na consulta que fizemos no ranking do campeonato no fim de março, Hélio Castroneves e Matheus Leist eram, respectivamente, o terceiro e o quarto colocados. Já Tony Kanaan era o 14º.
Há outro torneio importante no qual é possível encontrar brasileiros. Trata-se da Fórmula E, prova nascida das novas tendências do automobilismo e que usa apenas veículos elétricos. Vale ressaltar que embora a imagem que se tenha desse tipo de carro ainda seja aquela de modelos de velocidade moderada, com pouca autonomia e motores projetados para não correr muito (e, dessa forma, poupar bateria), a Fórmula E é, na verdade, uma competição de gente grande.
São 12 circuitos ao redor do mundo onde os carros elétricos, que estão na sua segunda geração, podem mostrar todo o seu poder: os motores têm mais de 300 cavalos, aceleram de 0 a 100 km por hora em 2,8 segundos e podem chegar a 280 km por hora de velocidade máxima. Além disso, são capazes de suportar toda a corrida sem necessidade de parada para troca de baterias.
É justamente na Fórmula E que o Brasil tem participação mais expressiva. Dos 24 pilotos que o site oficial informa, quatro são do País: Lucas Di Grassi, Felipe Massa, Nelson Piquet Junior e Felipe Nasr. Em nossa pesquisa, feita no final de março, o mais bem colocado era Lucas Di Grassi, que estava na 5ª posição.
A nossa pesquisa mostra que mesmo não gerando grandes campeões, como acontecia antes, o Brasil segue sendo um celeiro de talentos no automobilismo. Os campeonatos onde eles estão podem não ser tão populares por aqui como a Fórmula 1, mas vale a pena acompanhá-los. Em especial a Fórmula E, a que tem o número mais de pilotos e mais chance de fazer sucesso em um mundo cada vez mais preocupado com a emissão de poluentes dos automóveis.